quarta-feira, 12 de julho de 2017

FÉRIAS




Autor desconhecido


Queridos amigos, o Começar de Novo fará uma pausa para férias, mas continuarei a visitar os vossos cantinhos sempre que puder.  Com este lindo vídeo, deixo-vos um beijinho e os votos de que tenham boas férias.
A minha ausência será curta!!!

Espero que gostem!

Emilia Pinto

segunda-feira, 3 de julho de 2017

RAZÕES






Não me peçam razões, que não as tenho,
Ou darei quantas queiram: bem sabemos
Que razões são palavras, todas nascem
Da mansa hipocrisia que aprendemos.

Não me peçam razões por que se entenda
A força de maré que me enche o peito
Este estar mal no mundo e nesta lei:
Não fiz a lei e o mundo não aceito

Não me peçam razões, ou que as desculpe
Deste modo de amar e destruir:
Quando a noite é de mais é que amanhece
A cor de primavera que há-de vir


 José Saramago, in "Os Poemas Possíveis



São tantas as perguntas que fazemos, mas....não conseguimos encontrar as respostas.

Emília Pinto

terça-feira, 13 de junho de 2017

MINHA FAMÍLIA ....




 ...é a Minha Casa

A solidão absoluta é não ter ninguém a quem dizer um simples: “tenho vontade de chorar”. Não precisamos de muito para viver bem – para ser feliz basta uma família e pouco mais.
A família é a casa e a paz. O refúgio onde uma vontade de chorar não é motivo de julgamento, apenas e só uma necessidade súbita de... família. De um equilíbrio para o qual o outro é essencial... assim também se passa com a vontade de sorrir que, em família, se contagia apenas pelo olhar.

Nos dias de hoje vai sendo cada vez mais difícil encontrar gente capaz de ser família. Os egoísmos abundam e cultiva-se, sozinho, o individual. Como se não houvesse espaço para o amor. Dizem que amar é arriscado, que é coisa de loucos...

Todos temos sentimentos mais profundos. Cada um de nós é uma unidade, mas o que somos passa por sermos mais do que um. Parte de unidades maiores. Estamos com quem amamos e quem amamos também está, de alguma forma, connosco. O amor é o que existe entre nós e nos enlaça os sentimentos mais profundos. Onde uma vontade de chorar é um sinal de que há algo em mim que é maior do que eu... por vezes, nem preciso de chorar.... apenas a vontade me indica o caminho da humildade e do amor. Sozinho não consigo chegar a ser eu

Uma verdadeira família é simples. É o lugar onde todos amam e protegem a intimidade de cada um. Ninguém é de uma família à qual não se entrega. Mas não é fácil, nunca. É preciso ser forte o suficiente para dizer não a um conjunto enorme de coisas que parecem muito valiosas, mas que não passam de ocas aparências de valor.

Há muita gente que gosta de complicar para fugir ao que é simples. Para que me serve um palácio se nele a minha solidão se faz ainda maior? Quantos desistem de lutar pelo amor com a desculpa de que o preço é alto e o prémio pode afinal não valer o esforço? Quantas vezes a falta de amor é vista como paz?
A família é algo simples – puro – mas muitíssimo difícil de alcançar. Implica a renúncia constante aos artifícios do fácil e do imediato. Exige que nos concentremos num caminho longo que acreditamos (sem grandes provas) que é o único que nos pode elevar e levar ao céu.

Numa família há afeto e exemplo, há limites e respeito, há quem nos aceite como somos sem deixar de nos animar a sermos melhores, sem excessos mas com a paciência de quem ama.

A paz resulta de um equilíbrio de elementos diferentes, com talentos e perspetivas distintos. Não através de um esforço de anulação do que é único de cada um, mas precisamente pela riqueza de o orientar rumo a um fim conjunto e harmonioso. Uma espécie de enriquecimento recíproco dos contrários. Promover o bem do outro não é fazer com que se torne semelhante a mim. 

A minha casa é o lugar onde eu sou o outro a quem alguém pode expressar o seu “tenho vontade de chorar” sem que eu trace juízos de qualquer espécie, e que lhe faça sentir com o meu silêncio, dedicação e presença que a sua vontade já não é só sua... mas minha também

A minha família é a minha casa. Até podemos ser apenas dois... mas é aí, e só aí, que posso ser feliz. Longe de casa estou sempre a caminho. O meu coração não descansa senão nos braços de quem tem vontade de sorrir e de chorar comigo.

José Luís Nunes Martins, in 'Amor, Silêncios e Tempestades

Falei de paz, através do bonito poema de Natália Correia e  agora resolvi abordar o tema  "família "  pois é aqui, no seio familiar, que a paz deve começar, onde a paz deve ser ensinada, trabalhada, conseguida.
Gostei muito deste texto e espero que também vos agrade.

Emilia Pinto


quinta-feira, 1 de junho de 2017

ODE À PAZ



Pela verdade, pelo riso, pela luz, pela beleza,
Pelas aves que voam no olhar de uma criança,
Pela limpeza do vento, pelos actos de pureza
Pela alegria, pelo vinho, pela música, pela dança,
Pela branda melodia do rumor dos regatos,

Pelo fulgor do estio, pelo azul do claro dia,
Pelas flores que esmaltam os campos, pelo sossego dos pastos,
Pela exactidão das rosas, pela Sabedoria,
Pelas pérolas que gotejam dos olhos dos amantes,
Pelos prodígios que são verdadeiros nos sonhos,
Pelo amor, pela liberdade, pelas coisas radiantes,
Pelos aromas maduros de suaves outonos,
Pela futura manhã dos grandes transparentes,
Pelas entranhas maternas e fecundas da terra,
Pelas lágrimas das mães a quem nuvens sangrentas
Arrebatam os filhos para a torpeza da guerra,
Eu te conjuro ó paz, eu te invoco ó benigna,
Ó Santa, ó talismã contra a indústria feroz.
Com tuas mãos que abatem as bandeiras da ira,
Com o teu esconjuro da bomba e do algoz,
Abre as portas da História,
deixa passar a Vida!

Natália Correia,  in "Inéditos (1985/1990



Natália de Oliveira Correia -  (Fajã de Baixo São Miguel, 13 de Setembro de 1923 — Lisboa, 16 de Março de 1993- foi uma escritora e poeta portuguesa. Deputada à Assembleia da República (1980-1991), interveio politicamente ao nível da cultura e do património, na defesa dos direitos humanos e dos direitos das mulheres. Autora da letra do Hino dos Açores. Juntamente com José Saramago (Prémio Nobel de Literatura, 1998), Armindo Magalhães, Manuel da Fonseca e Urbano Tavares Rodrigues foi, em 1992, um dos fundadores da Frente Nacional para a Defesa da Cultura (FNDC). Tem uma biblioteca com o seu nome em Lisboa em Carnide

A obra de Natália Correia estende-se por géneros variados, desde a poesia ao romance, teatro e ensaio. Colaborou com frequência em diversas publicações portuguesas e estrangeiras,


Será que algum dia teremos PAZ?

Emília Pinto

quarta-feira, 17 de maio de 2017

INFÂNCIA COM ÂNSIA





" O mais importante na vida de uma criança é ter com quem brincar", diz especialista

É típico da criança desejar, sonhar, criar, fantasiar, mas características dos tempos atuais parecem estar colocando em risco essas habilidades. Se em outras épocas as crianças já foram mais reprimidas e pouco ouvidas, hoje, em muitas famílias, a educação dos filhos parece mirar o outro extremo: excessivamente atendidas em suas vontades, imersas em uma agenda repleta de compromissos e cercadas por uma abundância de objetos que nem conseguem dar conta de retirar das caixas e aproveitar, meninos e meninas, alertam especialistas, podem estar se tornando melancólicos. Comumente interpretada como tristeza, a melancolia é mais do que isso. Trata-se de um estado de indiferença, desinteresse, suspensão do desejo. Aos olhos desses pequenos, tudo se equivale, nada tem graça ou parece valer o investimento. São crianças que não toleram a falta e se frustram com facilidade. Conduzidas de um lado a outro sem ter um momento para exercitar a criatividade e pensar no que gostariam de fazer, elas são tomadas por apatia. Some-se a isso o esforço dos pais em poupar os filhos das perdas e dos aborrecimentos inerentes à esfera familiar e ao mundo que os cerca, inventando justificativas para mascarar a verdade ou blindando-os contra as cenas mais amargas – a morte de um animal de estimação, a separação do casal, a mudança de bairro ou escola por conta dos altos custos, a visão do pedinte maltrapilho na sinaleira. O resultado é que as crianças acabam por habitar um mundo irreal, estéril, pobre em experiências e sensações, onde não é possível testar as ferramentas psíquicas fundamentais para que possam amadurecer e enfrentar os reveses da existência

.
" Em vez de representar a falta e elaborar a dimensão da perda, quando entramos com a criança na via de restituição do objeto, ou na via de esquivar o acontecimento doloroso, nós a empurramos para uma situação muito pior, porque não compartilhamos com ela os recursos que permitem elaborar as perdas e as faltas, e isso cria uma fragilidade psíquica muito maior."

Julieta Jerusalinsky

in ZH Vida

Toda a criança no seu crescimento anseia ser " mamã ou papá, médico, professor, bombeiro... e nesse percurso vai imaginando e criando esse personagem ; nas sociedades de hoje, não lhes damos essa oportunidade e então surge o desinteresse, a apatia, o " tanto faz "
Não vou alongar-me mais sobre este tema, pois gostaria de vos convidar a assistirem a um debate muito interessante sobre a melancolia. Tornar-se-ia cansativo o vídeo aqui, pois é longo e assim, vendo-o no youtube, poderão assistir com calma e quando puderem. YOUTUBE -   CAFÉ FILOSÓFICO - MELANCOLIA NA INFÂNCIA.

Espero que gostem, amigos!

Emilia Pinto

terça-feira, 9 de maio de 2017

TREM BALA




Não é sobre ter todas as pessoas do mundo pra si
É sobre saber que em algum lugar Alguém zela por ti
É sobre cantar e poder escutar mais do que a própria voz
É sobre dançar na chuva de vida que cai sobre nós
É saber se sentir infinito num universo tão vasto e bonito
É saber sonhar e, então, fazer valer a pena cada verso daquele poema sobre acreditar
Não é sobre chegar no topo do mundo e  saber que venceu
É sobre escalar e sentir que o caminho te fortaleceu
É sobre ser abrigo e também ter morada em outros corações
E assim ter amigos contigo em todas as situações
A gente não pode ter tudo Qual seria a graça do mundo se fosse assim?
Por isso, eu prefiro sorrisos e os presentes que a vida trouxe pra perto de mim
Não é sobre tudo que o seu dinheiro é capaz de comprar
E sim sobre cada momento sorriso a se compartilhar
Também não é sobre correr contra o tempo pra ter sempre mais
Porque quando menos se espera a vida já ficou pra trás
Segura teu filho no colo sorria e abrace teus pais enquanto estão aqui
Que a vida é trem-bala, parceiro e a gente é só passageiro prestes a partir


E os AMIGOS que tenho são muitos, amigos generosos que me acarinham, mesmo nas longas ausências. Para vos agradecer, escolhi esta música que me diz para sorrir, abraçar, aproveitar cada momento, pois a vida é " trem bala e a gente é só passageiro prestes a partir "

Um abraço a todos

Emília



segunda-feira, 6 de março de 2017

COM UM ABRAÇO VOS DIGO....

Despedida

Três modos de despedida
Tem o meu bem para mim:
- «Até logo»; «até à vista»:
Ou «adeus» – É sempre assim.

«Adeus», é lindo, mas triste;
«Adeus» … A Deus entregamos
Nossos destinos: partimos,
Mal sabendo se voltamos.

«Até logo», é já mais doce;
Tem distancia e ausência, é certo;
Mas não é nem ano e dia,
Nem tão-pouco algum deserto.

Vale mais «até à vista»,
Do que «até logo» ou «adeus»;
«À vista», lembra, voltando,
Meus olhos fitos nos teus.

Três modos de despedida
Tem, assim, o meu Amor;
Antes não tivesse tantos!
Nem um só… Fora melhor.

António Correia de Oliveira, in 'Antologia Poética'
 
 
Escolhi este poema para me despedir de todos vós, não com um adeus, mas com um ATÉ LOGO. Estarei ausente por algum tempo, mas, sempre que possível, visitar-vos-ei.
Entretanto, deixo-vos um grande abraço e a certeza da minha sincera amizade. Obrigada!
 
Emilia Pinto